O patriota da chuteira





Eu nasci aqui, eu cresci aqui...mas não sou assim...


"Eu não sou louca por futebol e nem tenho samba no pé; eu adoro rock in roll, e não dispenso uma boa corrida de Fórmula 1, não escrevo Brasil com Z; tenho orgulho do meu país, mas tenho meus gostos que diferem um pouco da boa parte dos brasileiros."

Aline Cruz

O patriotismo do brasileiro é potencialmente destinado ao desportos e ao samba, pois não dá para dizer à cultura num âmbito geral.
Certa vez, durante os jogos da copa, ouvi a seguinte frase: "Você não é patriota!", tudo porque disse que aproveitaria a dispensa do trabalho devido o jogo para ler um livro.
Ser taxada de anti-patriota por um motivo fútil desses só me faz acreditar que as pessoas não entendem o sentido de patriotismo e supervalorizam o futebol.

Não sou contra o futebol, por favor não me entendam mal, mas o considero como um esporte qualquer, não acho ninguém genial por correr atrás de uma bola e conseguir colocá-la dentro de uma trave barrada por um goleiro, assim como não acho genial alguém fazer voltas em torno de uma pista com um carrinho e ver quem chega primeiro; acho esportes essenciais tanto para a diversão de quem vê, quanto para o bem estar de quem o pratica, mas não consigo aceitar que pessoas briguem por isso, que discutam ou que acreditem que o mundo gira em torno disso.

Acho profundamente genial quando alguém transfere um veia da perna de uma pessoa e a coloca no coração salvando sua vida, ou quando alguém transforma um conjunto de letras embaralhadas numa palavra, quando alguém constrói um lar para amparar outro alguém do frio, ou alguém que simplesmente arrisca sua  vida para tirar alguém dum incêndio ou de uma enchente, isso eu acho incrivel, magnífico, não há dinheiro no mundo que pague. Mas à estas pessoas não há reconhecimento, dificilmente as pessoas lembram de lhes agradecer. 
O salário delas às vezes nem se quer compensa o que elas gastaram investindo em conhecimento, mal dar para sustentar sua família ou ter uma vida com um pouco mais de conforto.

É justo uma pessoa passar cinco anos estudando - investindo mensalmente neste estudo cerca de R$3.500,00-  e ganhar R$6.700,00 para trabalhar mais de 24 horas/dia num plantão gastando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa que acaba de enfartar por aquele que teve 45 minutos para pôr uma bola dentro de uma trave, não o fez e mesmo assim ao fim do mês terá um salário mínimo de R$300.000,00? Acho que não. A desproporcionalidade de salários é ridícula.
Se os salários fossem aplicados em proporção a responsabilidade que o cargo implica a sociedade, os futebolistas ganhariam um valor representativo por oferecer horas de lazer a nação, já os médicos ganhariam R$300.000,00 por mês, e nem assim seria justo, por que uma vida não tem preço.

Será que ninguém vê esta injustiça? Ou será que ninguém pensa nisso? Não sei...
Quando há aumento do salário mínimo ouve-se boa parte da população reclamando do valor mísero que é oferecido para arcar com as despesas de alimentação, saúde, educação, vestuário e lazer, mas é incrível que esta mesma população não questione que outra parcela de brasileiros ganhe salários mensais que equiparam a quantia que se arrecadaria durante toda uma vida.

O brasileiro nem sempre escreve Brasil com Z, mas também não valoriza seu trabalho, seu esforço e seu suor, não aplaude, não vibra, não chora quando alguém salva uma vida, ou quando uma criança aprende a ler, quando entra em sua casa e se protege do frio ou da chuva, quando desce do ônibus e chega ao seu trabalho - sabe reclamar quando uma destas coisas não dar certo -, mas afinal o que um jogador lhe oferece, além de alguns minutinhos em frente a TV, ou dentro de um estádio? Ele lhe recomenda um remédio que lhe tira a dor? Ensina seu filho a ler? Lhe salva da enchente? Lhe protege do frio? O que ele lhe faz que você tanto o valoriza?
Pense um pouco e verá que há muitas pessoas que merecem muito mais as suas palmas, suas lágrimas de orgulho, sua vibração, seu obrigado.

5 comentários:

♫ Angélica ♥ Kawai ♪ disse...

É uma droga.. mas as pessoas só lembram do patiotismo em epoca de copa...
Pro resto só é feito vista grossa e reclamação...
como disse o renato Russo... Que áis é esse?

Aline Cruz disse...

Realmente Angélica, que país é este??

OozZeias disse...

aff...

Seguindo...

http://blog.supersapo.net/

Rafael Iglesias disse...

O "bom brasileiro" é uma espécie rara.

Joselito Nascimento Otílio disse...

Oi minha querida parabéns pelo blog, tá lindo, show de bola mesmo. Tava lendo o "Quem eu sou!" e fiquei apaixonado pela forma que voce se descreve!Minha querida sua postagem nos remete a tantos comentários, mas eu diria que tudo isso se dá pelo descaso social para com a nossa sociedade, onde é melhor perder tempo na frente de uma tv do que alimentando de livros. O que diga-se de passagem é até cafona você expressar uma opinião dessa grandeza perto de seres grotescos que se julgam humanos... Gostei da sua postagem e você está certíssima!

Grande abraço!

E eu espero receber sua visita se tornando seguidor do meu blog MEUS POEMAS MINHA VIDA...!
Ah... Encontrei seu blog na comu!

http://joselitootilio.blogspot.com/